Conflito no Médio Oriente já está a refletir-se no petróleo. Inflação pode acelerar na zona euro e combustíveis deverão subir nos próximos dias
O impacto económico do conflito no Médio Oriente começa a ganhar forma e os primeiros sinais não são animadores. A duração da guerra será determinante, mas o cenário traçado pelas autoridades aponta para mais inflação, energia mais cara e maior incerteza nos mercados.
O economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), Philip Lane, alertou que um conflito prolongado poderá provocar uma queda persistente no fornecimento de energia e um aumento substancial da inflação na zona euro. Em entrevista ao Financial Times, o responsável sublinhou que uma escalada no Médio Oriente já integra os principais cenários de risco analisados pela instituição.
Segundo as simulações do BCE, um choque energético prolongado poderá traduzir-se numa forte subida dos preços impulsionada pela energia e numa quebra significativa da produção económica. O impacto poderá ainda ser agravado caso os mercados financeiros reajam com uma reavaliação generalizada do risco.
Apesar disso, Philip Lane ressalva que os efeitos a médio prazo dependerão da magnitude e da duração do conflito. Para já, o BCE garante que está a acompanhar de perto a evolução dos acontecimentos.
Nos mercados internacionais, o petróleo já reage à instabilidade. O barril de Brent crude para entrega em maio atingiu os 85 dólares, o valor mais elevado desde julho de 2024, acumulando uma subida de cerca de 8%.
Este movimento deverá refletir-se rapidamente nas bombas de combustível, com previsões de aumentos até 10 cêntimos por litro já na próxima semana. Para famílias e empresas, trata-se de um novo fator de pressão sobre os orçamentos.
Em Portugal, o ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, reconheceu que a subida do preço do petróleo “não é uma boa notícia”, mas sublinhou que o país está hoje mais preparado para enfrentar choques energéticos.
Segundo o governante, cerca de 70% da eletricidade consumida em Portugal tem origem em fontes renováveis, o que reduz a dependência direta do petróleo e constitui uma vantagem competitiva. Ainda assim, garantiu que o Executivo está atento e pronto para adotar medidas que assegurem o funcionamento da economia, a proteção das famílias e o equilíbrio das finanças públicas.
Com impacto direto nas despesas mensais sobretudo nos bens e serviços ligados à energia e transportes, que poderão repercutir custos mais elevados nos preços finais, caso o conflito se prolongue.
Para já, o cenário é de prudência. Mas se a guerra se arrastar, o impacto poderá tornar-se estrutural afetando não apenas o preço da energia, mas também o crescimento económico e o poder de compra dos consumidores.
A guerra está longe, mas os seus efeitos podem sentir-se cada vez mais perto na fatura da luz, no depósito do carro e no carrinho de compras. (LUSA)
POR: IZILDA CHILUNDO
