O presidente do Chega, André Ventura, sugeriu este domingo, 1 de março, a criação de uma comissão parlamentar dedicada à reforma do Estado, proposta que incluiria a presidência do antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho. Ventura afirmou que a iniciativa permitiria ao social-democrata ter uma “participação mais institucional” e rejeitou que Passos Coelho represente uma ameaça para o seu partido.
Em declarações à margem da feira de turismo BTL, em Lisboa, Ventura detalhou que a comissão poderia abordar áreas como a fiscalidade, a Administração Pública, a energia e a habitação, reunindo representantes da sociedade civil e possibilitando um consenso entre Chega, PSD e Iniciativa Liberal.

O líder do Chega justificou a proposta lembrando que o atual ministério da Reforma do Estado “não tem funcionado”, e sublinhou que Passos Coelho tem apresentado publicamente ideias que considera relevantes para a reforma do país. “Quando um ex-primeiro-ministro, alguém que conhece bem a realidade e tem espírito reformista, aparece em público para contribuir com as suas ideias, isso é positivo e devemos ouvi-lo”, afirmou Ventura.
Questionado sobre as recentes declarações do antigo líder do PSD, que não excluiu um eventual regresso à política, Ventura afirmou que o reaparecimento de Passos Coelho não representa um perigo para o Chega, destacando que o seu partido possui um eleitorado bem definido e em crescimento.
No sábado, Passos Coelho, durante o aniversário do Instituto “+Liberdade”, em Lisboa, afirmou que “nunca se achou um inútil para a política” e que, se regressar, não será “pelas melhores razões”. O ex-primeiro-ministro também sublinhou que não precisa de “pedir licença a ninguém” para expressar a sua opinião, reconhecendo que haverá quem aprecie e quem discorde das suas posições.
Por: Jaime Alberto
