MANHIÇA À BEIRA DA FOME: 14 MIL HECTARES DE CULTURAS DESTRUÍDAS PELAS CHEIAS

Mais de 14 mil hectares de culturas diversas foram totalmente destruídos pelas cheias no distrito da Manhica, na província de Maputo Provincia, de um universo superior a 30 mil hectares afectados. As autoridades alertam que, face à dimensão dos prejuízos, o distrito poderá enfrentar bolsas de fome nos próximos meses.Os mangais são um ecossistema frágil (imagem de ilustração).

A presente época chuvosa provocou um cenário descrito como sem precedentes na Ilha Josina, onde áreas historicamente consideradas seguras acabaram submersas.

Segundo Alberto Mucauque, chefe do Posto Administrativo da Ilha Josina, a população foi surpreendida pela dimensão das águas. “Em anos anteriores, havia zonas onde a água nunca tinha entrado. Desta vez, apanhou a população desprevenida, porque havia a sensação de que aquelas áreas estavam fora de perigo”, explicou.Pode ser uma imagem de aguapé e grama

Bairros como 4, 5 e 6, tradicionalmente menos vulneráveis, ficaram completamente inundados, comprometendo inclusive os centros de acolhimento previamente identificados. Em alguns momentos, não restou qualquer zona segura na Ilha Josina, obrigando as autoridades a abrigar famílias em estabelecimentos comerciais.

De acordo com o administrador distrital, Matias Parruque, cerca de 18 mil hectares afectados correspondiam a culturas de rendimento e 12 mil a culturas alimentares, o que agrava o risco de insegurança alimentar. No total, aproximadamente seis mil famílias foram directamente impactadas pelas cheias.

O governo distrital iniciou um processo de reassentamento, tendo identificado áreas consideradas seguras para acolher, numa primeira fase, cerca de 550 famílias. A transferência deverá ocorrer de forma gradual, com vista a reduzir a exposição das populações às zonas inundáveis.

Paralelamente, está em preparação um plano de resposta económica, com prioridade na disponibilização de sementes para permitir a retoma da produção agrícola e mitigar os efeitos das inundações.

Além das perdas agrícolas, registam-se igualmente danos significativos na pecuária, aprofundando os prejuízos económicos num distrito onde a agricultura e o gado constituem as principais fontes de subsistência das comunidades.

Por: Jaime Alberto

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