A Coreia do Sul autorizou a partilha de dados cartográficos de alta precisão com a Google, permitindo uma utilização mais completa do Google Maps no país. A decisão surge após quase duas décadas de restrições fundamentadas em preocupações de segurança nacional.
O Ministério do Território sul-coreano esclareceu que a autorização é concedida sob “condições de segurança estritas”. Entre as exigências impostas à tecnológica norte-americana está a obrigatoriedade de ocultar instalações militares e infra-estruturas consideradas sensíveis nas imagens do Street View e nas séries históricas do Google Earth.
Adicionalmente, deverão ser eliminadas coordenadas exactas de determinados locais e aplicadas restrições específicas de exposição territorial nos serviços globais da empresa.
Durante anos, Seul rejeitou pedidos da Google para aceder a cartografia detalhada, invocando riscos associados à proximidade e tensão permanente com a Coreia do Norte. A partilha de informação geoespacial sensível era vista como potencial ameaça à segurança.
A Coreia do Sul junta-se, assim, a países como a China e a Rússia, onde o Google Maps opera com limitações. Na Coreia do Norte, o serviço não está disponível.
Até agora, o Google Maps funcionava no território sul-coreano com funcionalidades reduzidas e menor precisão, sem acesso completo a dados de navegação rodoviária, mapas por satélite detalhados ou informações abrangentes sobre transportes públicos.
O mercado local é dominado pelo portal Naver, que utiliza mapas fornecidos pelo Governo e aplica filtros rigorosos a conteúdos considerados sensíveis.
A decisão poderá alterar o equilíbrio concorrencial no sector digital sul-coreano, abrindo espaço a maior competitividade nos serviços de navegação e mobilidade. Para investidores e operadores tecnológicos, o levantamento parcial das restrições é interpretado como sinal de maior abertura regulatória, ainda que enquadrada por fortes salvaguardas de segurança. (MM)
Por: IZILDA CHILUNDO
