Moçambique analisa recomendações do FMI e acelera implementação de reformas estruturais

O Governo através do Ministério das Finanças, reagiu à divulgação do Relatório da Consulta do Artigo IV de 2025 do Fundo Monetário Internacional (FMI), considerando que o documento reforça os sinais de consolidação macroeconómica e valida os esforços em curso para transformar a economia nacional numa estrutura mais moderna, resiliente e competitiva.

Em comunicado tornado público esta semana, as autoridades reconhecem que persistem pressões de liquidez no curto prazo, associadas às crescentes necessidades de investimento público, à redução do apoio externo e ao impacto de choques exógenos registados nos últimos anos. Ainda assim, o Executivo sustenta que as projecções de médio prazo permanecem encorajadoras.

Segundo o posicionamento oficial, a recuperação económica em curso resulta da implementação de reformas fiscais, do reforço da mobilização de receitas internas e de medidas orientadas para dinamizar o sector produtivo. O relatório do FMI sublinha ainda o papel estratégico dos projectos de Gás Natural Liquefeito (GNL), que deverão começar a gerar receitas relevantes a partir de 2030, contribuindo para a expansão das cadeias de valor e para o desenvolvimento industrial.

O documento aponta três pilares essenciais para garantir a estabilidade macroeconómica:

  • Gestão prudente e proactiva da dívida pública, com foco na redução dos riscos de refinanciamento e no reforço da sustentabilidade fiscal;

  • Novo programa de cooperação com o FMI, destinado a apoiar a implementação de reformas, mobilizar financiamento externo e reforçar a protecção social das camadas mais vulneráveis;

  • Aprofundamento das reformas estruturais, com vista à melhoria da governação económica, transparência na gestão dos recursos públicos e promoção do crescimento inclusivo.

No quadro desta agenda, o Ministério das Finanças confirmou a contratação da consultora internacional Alvarez & Marsal como assessora financeira, com a missão de apoiar tecnicamente o processo de implementação das reformas previstas.

O Governo reafirma, por fim, o compromisso de manter um diálogo aberto com credores, parceiros de desenvolvimento e o sector privado, defendendo que a transformação económica de Moçambique depende de estabilidade institucional, confiança dos investidores e coordenação estratégica de longo prazo.

Por: Jaime Alberto

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