Governo alemão corta financiamento e obriga DW a reduzir serviços internacionais

A Deutsche Welle (DW) vai avançar com um amplo plano de cortes após o Governo da Alemanha reduzir em 10 milhões de euros o subsídio federal destinado à emissora para 2026. Com a decisão, o orçamento anual da estação fixa-se em 415 milhões de euros, mas a ausência de compensação para aumentos salariais previstos em acordo colectivo gera um impacto adicional de 11 milhões de euros, obrigando a empresa a poupar um total de 21 milhões.

A decisão foi analisada numa sessão extraordinária conjunta do Conselho de Radiodifusão, do Conselho de Administração e da direcção-geral da DW. Do plano de ajustamento constam a eliminação de cerca de 160 postos de trabalho a tempo inteiro, sem despedimentos , o encerramento do serviço em língua grega e a redução da oferta noutras línguas, incluindo o serviço em Português para África.

O presidente do Conselho de Radiodifusão, Karl Jüsten, alertou que os cortes surgem num contexto internacional sensível, marcado pelo reforço da propaganda estatal de países como Rússia e China e pelo recuo dos Estados Unidos na radiodifusão internacional. Segundo afirmou, a redução do financiamento enfraquece a projecção das perspectivas alemã e europeia no espaço mediático global.

Também o presidente do Conselho de Administração, Achim Dercks, considerou que os cortes contrariam o compromisso assumido pelo Governo no acordo de coligação de reforçar a DW. Sem reposição do financiamento no Orçamento Federal de 2027, advertiu, poderão ocorrer impactos duradouros na qualidade editorial, na infra-estrutura técnica e no alcance internacional da emissora.

A directora geral da DW, Barbara Massing, classificou as medidas como “dolorosas”, sublinhando que afectam a competitividade da estação num momento de elevada disputa geopolítica pela influência mediática. Ainda assim, garantiu que a estratégia de transformação digital e de reforço da qualidade editorial continuará, embora a um ritmo mais lento.

Entre as principais alterações editoriais está o encerramento definitivo do serviço em língua grega, activo há mais de seis décadas. As ofertas em língua alemã serão fundidas com os cursos de aprendizagem do idioma, resultando num produto único dirigido sobretudo a públicos fora da região DACH (Alemanha, Áustria e Suíça).

O serviço em Português para África sofrerá redução orçamental, tal como o de Dari/Pashto para o Afeganistão. Serão igualmente descontinuados vários programas, incluindo formatos culturais, científicos e ambientais como “Futurando” (destinado ao Brasil) e “Eco África”.

Mais de um terço das poupanças previstas incidirá sobre áreas de infra-estrutura e administração, incluindo investimentos tecnológicos, renovação de edifícios, desenvolvimento de aplicações digitais e expansão de correspondentes internacionais.

Com as medidas agora anunciadas, a Deutsche Welle enfrenta um período de reestruturação que poderá redefinir a sua presença global, num momento em que o debate sobre o papel da comunicação pública internacional ganha nova relevância no cenário geopolítico. (DW)

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