Especialistas defendem calendário escolar mais flexível face às chuvas

Organizações de professores consideram necessária uma reflexão profunda sobre o calendário escolar em Moçambique, defendendo um modelo mais flexível e ajustado à realidade climática do país, marcada por chuvas intensas, cheias e ciclones frequentes.

A Associação Nacional dos Professores (APU) entende que a simples alteração do início das aulas para março não constitui, por si só, uma solução definitiva. O presidente da agremiação, Avatar Cumbe, propõe antes a criação de um calendário regionalizado, adaptado às especificidades de cada província.

Segundo o responsável, existem regiões com recorrência de cheias que poderiam adoptar um calendário próprio, ajustado ao pico das chuvas, enquanto zonas menos afectadas manteriam o calendário regular. A medida permitiria reduzir interrupções constantes e minimizar prejuízos no processo de ensino e aprendizagem.

Por sua vez, a Associação Nacional dos Professores (ANAPRO) também defende a realização de um estudo aprofundado antes de qualquer alteração estrutural. O porta-voz da organização, Marcos Mulima, sublinha que qualquer mudança deve ser acompanhada por um plano pedagógico permanente que envolva professores, alunos e encarregados de educação.

Mulima critica a inexistência de estratégias claras para apoiar os profissionais no terreno, questionando como será assegurada a implementação prática das medidas anunciadas.

Entretanto, muitas escolas continuam a funcionar como centros de acolhimento de famílias afectadas pelas intempéries, numa altura em que o arranque do ano lectivo se aproxima. Para os docentes, a situação obriga a uma corrida contra o tempo para cumprir os programas curriculares, o que resulta, segundo Cumbe, numa aprendizagem superficial e num elevado nível de cansaço para professores e alunos.

O professor Rogério Nhanale partilha da mesma preocupação, afirmando que os fenómenos naturais obrigam frequentemente à revisão dos planos de aula e à adopção de métodos contingenciais, nem sempre eficazes.

As organizações defendem ainda apoio psicológico para professores e estudantes afectados pelos desastres naturais, alertando que os traumas vividos podem comprometer o desempenho escolar.

As cheias registadas este ano destruíram mais de 400 escolas em todo o país, forçando o Governo a adiar o início do ano lectivo de 30 de Janeiro para 27 de Fevereiro.

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