O renomado saxofonista e compositor moçambicano Moreira Chonguiça visita as instalações do Comité Nacional de Gestão da Bienal de Luanda, marcando o início de uma colaboração artística com o evento pan-africano dedicado à promoção da paz e da não-violência.
O músico aceita oficialmente o convite para colaborar na produção e amplificação da cultura de paz na próxima edição do Fórum Pan-africano para a Cultura de Paz e Não-violência – Bienal de Luanda. Conhecido por fundir jazz com sonoridades africanas, Chonguiça destaca o papel transformador da arte.
“A arte não é estática, é dinâmica”, afirma, sublinhando que a cultura deve ser utilizada como ferramenta de prevenção de conflitos.
O artista relaciona a sua participação com os desafios enfrentados por Moçambique, referindo-se à realidade vivida na província de Cabo Delgado, onde persistem problemas ligados à insurgência armada. Para Chonguiça, é fundamental “usar o jazz e a música no geral para influenciar positivamente a juventude”.
Ao fundamentar a sua posição, o músico recorda que grande parte da população mundial é jovem e que, em Moçambique, cerca de metade dos cidadãos tem entre 0 e 25 anos, defendendo a promoção de referências positivas numa era marcada pela rápida evolução tecnológica.
O convite é formulado pelo coordenador do Comité Nacional de Gestão da Bienal de Luanda, embaixador Diekumpuna Sita José, tendo o artista manifestado honra e compromisso em contribuir para dar maior visibilidade aos ideais do evento.
A quarta edição da Bienal de Luanda realiza-se em Outubro, sob o lema “O valor da Água: Governança da Água como Ferramenta de Prevenção, Mediação e Resolução de Conflitos”, alinhado com o tema anual da União Africana para 2026, centrado na disponibilidade sustentável de água e saneamento no âmbito da Agenda 2063.
Na ocasião, Chonguiça revela ainda ter gravado uma música dedicada à União Africana, que permanece reservada e será divulgada apenas em 2063, ano previsto para a conclusão da implementação da Agenda 2063.
Com esta integração, a Bienal reforça a aposta na música como linguagem universal capaz de mobilizar a juventude africana em torno da paz, identidade e construção de um futuro comum.
