O desaparecimento de duas pessoas com albinismo, ocorrido há cerca de 60 dias na cidade de Quelimane, está a provocar um clima de medo e inquietação entre os moradores da província da Zambézia, que receiam o ressurgimento de crimes associados à perseguição e ao tráfico de órgãos humanos.
Entre as pessoas desaparecidas encontra-se uma mulher, mãe de quatro filhos, cujo paradeiro é desconhecido desde que saiu da sua residência. O caso causou forte comoção na comunidade, sobretudo entre familiares e vizinhos, que vivem momentos de grande angústia.
Segundo relatos dos parentes, as vítimas terão sido convencidas a deslocar-se para o distrito de Derre com a promessa de receberem tratamento de medicina tradicional. A iniciativa teria sido sugerida por um indivíduo conhecido da família, o que aumentou a confiança das vítimas.
Após a viagem para a suposta consulta, todo o contacto foi interrompido e, até ao momento, não há informações sobre o seu paradeiro. A ausência de esclarecimentos por parte das autoridades locais tem reforçado o desespero das famílias, que temem um desfecho trágico.
Os familiares acreditam que o desaparecimento esteja diretamente ligado à condição genética das vítimas. Em Moçambique, pessoas com albinismo continuam a enfrentar discriminação, estigmatização e crenças supersticiosas que alimentam práticas criminosas ligadas à feitiçaria.
No bairro Contamina, onde residiam as vítimas, cresce o receio de que o caso represente mais um episódio de violência selectiva, explorando a vulnerabilidade de um grupo social que há anos luta por proteção, inclusão e segurança.
