Um novo estudo indica que pessoas que têm o hábito de ficar acordadas até tarde apresentam maior risco de enfarte do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC), em comparação com os que se deitam mais cedo.
A pesquisa, publicada no Journal of the American Heart Association, analisou mais de 300 mil adultos com idade média de 57 anos, avaliando a relação entre hábitos de sono e saúde cardiovascular. Segundo os dados, os chamados notívagos têm um risco 16% superior de enfarte ou AVC face aos madrugadores.
O estudo concluiu que pessoas com cronótipo vespertino tendem a apresentar desalinhamento circadiano, ou seja, o relógio biológico interno não está sincronizado com o ciclo natural dia-noite, e frequentemente adotam hábitos que prejudicam o coração, como má alimentação, tabagismo e sono insuficiente. Entre os notívagos, a prevalência de saúde cardiovascular deficiente era 79% mais elevada.
A investigação destacou ainda que a associação entre dormir tarde e problemas cardiovasculares é mais pronunciada nas mulheres. Apesar disso, os especialistas sublinham que os notívagos não são intrinsecamente menos saudáveis: o risco elevado está ligado a comportamentos modificáveis, como hábitos de sono, dieta e tabagismo.
“Programas direcionados a pessoas que naturalmente ficam acordadas até tarde podem ajudá-las a melhorar os seus hábitos de vida e reduzir o risco de doença cardiovascular”, afirmou Kristen Knutson, professora da Northwestern University, especialista em cronobiologia, que não participou do estudo.
Os autores sugerem que adotar rotinas de sono mais regulares e cuidar da alimentação e do estilo de vida pode diminuir o risco de enfarte e AVC mesmo entre aqueles que preferem a vida noturna.
