No bairro de Boquisso “A”, no município da Matola, aproximadamente 100 famílias vivem em condições críticas devido às inundações que submergem as suas casas, segundo relato de moradores e líderes comunitários. Muitas residências encontram-se submersas até próximo do teto, enquanto ruas inteiras ficaram praticamente intransitáveis, aumentando o risco de afogamentos e acidentes.
“A água já ultrapassou as janelas. Não sabemos se o município se lembra de nós ou se há alguma intervenção prevista. Aqui temos crianças, insetos e peixes dentro de casa, e todos os dias enfrentamos este perigo”, disse Nilda Chivambo, residente do bairro.
A situação, que se arrasta desde 2023, agrava-se sempre que chove, forçando os moradores a abandonar temporariamente as casas ou improvisar soluções para sobreviver dentro da água, como o uso de sacos e blocos para tentar proteger os poucos bens que restam.
Segundo Filipe Magaia, chefe do quarteirão 5, muitos moradores sentem-se abandonados pelo município, questionando como foi possível permitir construções em áreas tão vulneráveis a cheias.
A presença constante de serpentes, insetos e peixes torna o ambiente ainda mais perigoso, sobretudo para as crianças, que acabam por utilizar os espaços alagados como áreas de recreio, aumentando o risco de doenças e acidentes fatais.
O município da Matola foi contactado para se pronunciar sobre o caso, mas prometeu fornecer esclarecimentos oportunamente, sem apresentar ainda soluções imediatas para as famílias afetadas.
