O Presidente da República, Daniel Chapo, oficializou esta quinta-feira a retoma das actividades do projecto de exploração de gás natural liderado pela multinacional francesa TotalEnergies, na península de Afungi, distrito de Palma, província de Cabo Delgado. As actividades estavam suspensas desde 2021, na sequência dos ataques terroristas que afectaram a região.
Segundo o Chefe do Estado, a redução significativa dos ataques armados em Cabo Delgado foi determinante para o levantamento da cláusula de força maior que havia ditado a paralisação do empreendimento por cerca de cinco anos. Daniel Chapo afirmou que actualmente “já não existe nenhum distrito ocupado por terroristas” na província, sendo registados apenas incidentes esporádicos, facto que criou condições para o reinício das operações.
Na cerimónia oficial de retoma, o presidente-executivo da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, destacou a importância de evitar a propagação de boatos e sublinhou que Cabo Delgado apresenta um ambiente de estabilidade progressiva, permitindo que as actividades da petrolífera decorressem dentro da normalidade prevista.
O relançamento do projecto constitui um marco significativo para a economia nacional, simbolizando a confiança renovada dos investidores internacionais no potencial energético de Moçambique e nas condições de segurança na região. A retoma das obras deverá impulsionar a criação de emprego, tanto na fase de construção como na de operação, dinamizando as cadeias de valor locais e promovendo oportunidades de negócios para empresas moçambicanas.
O Mozambique LNG, avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares americanos, é um dos maiores projectos de energia em África e visa transformar o País num exportador global de gás natural liquefeito. O empreendimento tem capacidade anual prevista de produção de 13 milhões de toneladas de GNL e deverá contribuir com receitas significativas para o Estado moçambicano ao longo da sua vida útil.
A decisão de retomar as operações em Afungi segue-se ao levantamento formal da cláusula de força maior em Outubro de 2025, altura em que o consórcio operado pela TotalEnergies reconheceu que as condições de segurança necessárias estavam reunidas para permitir o reinício das actividades.
A retoma do projecto surge num momento em que o País procura consolidar a estabilidade na província de Cabo Delgado, reforçada pela cooperação com parceiros internacionais no domínio da segurança, incluindo a presença de forças estrangeiras que apoiam as autoridades moçambicanas no combate aos grupos armados.
O evento contou com a presença de representantes do Governo, parceiros privados e diplomáticos, marcando o início de uma nova fase para o desenvolvimento do sector energético e para a economia nacional.
