Moçambique, um dos países mais vulneráveis às alterações climáticas, tem recebido nos últimos anos financiamentos expressivos para projetos de adaptação e resiliência climática. Entre 2012 e 2024, o país recebeu cerca de mil milhões de dólares de parceiros internacionais, incluindo Banco Mundial, FMI, União Europeia e Nações Unidas.
Apesar destes recursos, o impacto real ainda levanta dúvidas. A Direção Nacional do Financiamento Climático reconhece avanços na mobilização de fundos, mas admite limitações graves na aplicação e monitoria, como a fragmentação institucional, ausência de indicadores claros e falta de um sistema padronizado de monitoramento dos projetos.
O PNUD alerta que, mesmo com este financiamento, os recursos continuam insuficientes para responder adequadamente aos desastres naturais. Para especialistas como José Langa, a prioridade deveria ser a educação ambiental, garantindo que a população saiba agir em caso de alerta.
Outro problema apontado é que grande parte dos fundos retorna aos países doadores via contratação de bens, serviços e consultorias, mantendo o ciclo económico fora de Moçambique. Marcial Macome, da RENAMO, denuncia ainda que práticas de corrupção e obras mal planeadas agravam os riscos, transformando cheias e desastres em fontes de lucro para certos grupos.
O Governo lançou recentemente a Estratégia Nacional de Financiamento Climático 2025–2030, estimando a necessidade de mais de 31 mil milhões de euros, quase totalmente dependentes de financiamento externo. Paralelamente, o Fundo de Gestão de Calamidades recebe apenas 0,14% do Orçamento do Estado, insuficiente para prevenção e resposta eficiente.
Analistas alertam que, sem mudanças estruturais na gestão de riscos e na utilização dos fundos, o impacto económico acumulado das catástrofes climáticas pode chegar a 7,4 mil milhões de dólares até 2050.
