Apesar da entrada em vigor de um cessar-fogo temporário entre os Estados Unidos e o Irão, Israel prosseguiu, nas últimas horas, com ataques no sul do Líbano, evidenciando a fragilidade do acordo e a complexidade do conflito regional.
A trégua, anunciada pelo presidente norte-americano Donald Trump, prevê uma suspensão de hostilidades por duas semanas entre Washington e Teerão, mas não abrange todas as frentes de combate.
Segundo fontes libanesas, bombardeamentos israelitas atingiram várias localidades no sul do país, incluindo zonas próximas de infraestruturas médicas, provocando vítimas mortais e feridos, embora sem números oficiais consolidados.
Israel justificou a continuidade das operações como resposta às ações do Hezbollah, aliado do Irão, que tem intensificado ataques desde o início da ofensiva regional, no final de fevereiro.
O Exército israelita reiterou ainda a intenção de manter controlo sobre áreas estratégicas no sul do Líbano, nomeadamente até ao rio Litani.
Paralelamente, forças israelitas confirmaram ataques a infraestruturas militares iranianas nas horas que antecederam a entrada em vigor do cessar-fogo, visando bases de lançamento de mísseis.
Autoridades de Israel indicaram que dezenas de alvos foram atingidos com o objetivo de reduzir a capacidade ofensiva de Teerão, após uma vaga de ataques iranianos contra território israelita.
Internamente, o acordo de trégua tem gerado críticas. O líder da oposição, Yair Lapid, classificou o entendimento entre Washington e Teerão como um “desastre político”, acusando o Governo de não ter sido devidamente envolvido no processo.
As declarações refletem tensões políticas crescentes num momento de elevada pressão militar e diplomática.
A comunidade internacional tem apelado à consolidação do cessar-fogo. Países como a Turquia e o Egito defenderam o respeito integral da trégua, enquanto a União Europeia sublinhou a necessidade de uma “paz sustentável”.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, mediador do acordo, indicou que o entendimento deveria abranger outras frentes, posição rejeitada por Israel.
Desde o início do conflito, em fevereiro, a escalada militar já provocou milhares de mortos e feridos na região do Golfo.
O bloqueio temporário do Estreito de Ormuz pelo Irão agravou os receios de uma crise energética global, afetando os mercados internacionais. Ainda assim, o anúncio da trégua trouxe algum alívio imediato, com a descida dos preços do petróleo e do gás.
O atual cenário evidencia uma realidade paradoxal: enquanto a diplomacia avança entre grandes potências, os combates persistem no terreno.
A exclusão do Líbano do acordo expõe os limites do cessar-fogo e reforça a perceção de que o conflito no Médio Oriente continua longe de uma solução abrangente, mantendo elevados riscos geopolíticos e económicos à escala global. (NM)
Por: IZILDA CHILUNDO
