Moçambique foi recentemente classificado como o segundo país mais pobre do mundo, posição apenas atrás do Burundi, num contexto em que a tecnologia avança globalmente e o país dispõe de vastos recursos naturais. A notícia, tornada pública a 31 de Março, tem gerado forte debate entre a população, especialmente entre os jovens, preocupados com a discrepância entre riqueza mineral e desenvolvimento económico.
Segundo os jovens ouvidos, a frustração prende-se com o facto de Moçambique ser rico em recursos, mas actuar sobretudo como um corredor logístico, sem estratégias eficazes para valorizar internamente essas riquezas. Joaquim Primeiro destacou a falta de estabilidade, os conflitos internos e a excessiva dependência de empresas estrangeiras como fatores centrais para a situação económica.
“O Governo deve manter a estabilidade, gerir conflitos, combater a corrupção, instalar refinarias e negociar contratos mais justos com empresas estrangeiras. Se tivermos ideias assim, garantimos maior lucro e uma economia mais estável”, afirmou Primeiro.
Outro jovem, Edson Mazive, salientou a forma como os recursos nacionais, como energia e gás, beneficiam outros países em detrimento da população local, contribuindo para o aumento do desemprego. “Moçambique fornece energia e gás a países vizinhos que estão bem posicionados financeiramente. Mas os nossos dirigentes poderiam investir nessas áreas para gerar emprego e crescimento económico interno”, sublinhou.
Alguns jovens defendem uma mudança radical na administração pública como solução. Inácio Fulau considera que os últimos governantes priorizam interesses pessoais em detrimento do país e propõe uma reestruturação completa do aparelho estatal: “Toda a administração deve ser renovada para reverter este cenário. O dinheiro deve beneficiar a colectividade e não apenas certos indivíduos”, afirmou.
Apesar da contestação popular, o porta-voz do Executivo, Inocêncio Impissa, refutou a classificação do Banco Mundial, argumentando que os indicadores utilizados diferem dos critérios nacionais, mas a situação mantém a pobreza e o desemprego como principais frustrações da população moçambicana.
O debate sobre a gestão dos recursos e a necessidade de reformas profundas promete continuar a dominar a agenda nacional, numa altura em que os cidadãos exigem maior transparência e resultados concretos na melhoria das condições de vida.
Por: Joao Mbatine
