Um total de 184 famílias camponesas do distrito do Búzi, na província de Sofala, começou a beneficiar de apoio constituído por equipamentos de irrigação, sementes e fertilizantes, no âmbito de uma iniciativa destinada a impulsionar a recuperação da produção agrícola, fortemente afectada pelas inundações registadas no mês de Fevereiro.
A actual campanha agrária decorre sob forte pressão das mudanças climáticas, que, desde o final do ano passado, têm provocado cheias em diversas regiões da província. No Búzi, a situação resultou em perdas significativas de culturas, comprometendo os meios de subsistência de centenas de agregados familiares.
Com vista a mitigar estes impactos, o Governo, em articulação com parceiros nacionais e internacionais, está a implementar um programa de apoio orientado para o desenvolvimento de cadeias de valor estratégicas em cinco distritos de Sofala, promovendo uma agricultura mais resiliente, produtiva e sustentável.
No quadro desta iniciativa, que conta com o envolvimento da Agência de Desenvolvimento do Vale do Zambeze e outros parceiros, os beneficiários receberam insumos agrícolas após participarem em acções de capacitação focadas na melhoria da produção de culturas como milho, arroz, amendoim, couve, alface, tomate e cebola.
Os camponeses consideram que o acesso a sistemas de irrigação representa uma mudança estrutural nas suas condições de trabalho. Até aqui, muitos dependiam exclusivamente da chuva ou recorriam a métodos rudimentares de rega, o que limitava a produtividade.
A Agência de Desenvolvimento do Vale do Zambeze sublinha que a irrigação constitui uma aposta estratégica para dinamizar o sector agrário e aumentar o rendimento dos produtores, assegurando ainda assistência técnica contínua aos beneficiários, nomeadamente na instalação e manutenção dos sistemas de rega.
Por seu turno, o governador da província de Sofala, Lourenço Bulha, destacou o alcance da iniciativa, referindo que o programa abrange cerca de dois mil beneficiários directos, bem como 14 micro, pequenas e médias empresas apoiadas com insumos e equipamentos agrícolas.
Segundo o governante, os produtores passam a assumir um papel determinante na promoção da segurança alimentar, no reforço da nutrição das comunidades e na criação de oportunidades de emprego ao longo das cadeias de valor.
Os beneficiários contribuíram com cerca de 5% do custo dos meios de produção, adquiridos junto de fornecedores locais. A iniciativa está avaliada em mais de 10 milhões de meticais e conta com financiamento do Reino dos Países Baixos.
Por: Joao Mbatine
