Tuberculose continua a ser desafio de saúde pública apesar da redução de casos

Assinala-se esta terça-feira o Dia Mundial da Tuberculose, numa altura em que especialistas alertam que a doença continua longe de estar erradicada, apesar da tendência de redução de casos.

De acordo com dados da Direção-Geral da Saúde, Portugal registou 1.536 casos de tuberculose em 2024, o valor mais baixo de sempre, com uma taxa de 14,3 casos por 100 mil habitantes.

Ainda assim, a especialista em genética molecular Sofia Carneiro alerta que persiste a ideia errada de que a tuberculose é uma doença do passado, o que pode comprometer o diagnóstico precoce e favorecer a transmissão.

Segundo a especialista, a doença manifesta-se sobretudo na forma pulmonar, responsável pela sua disseminação, mas pode também afectar outros órgãos, como ossos, rins ou o sistema nervoso, nos casos de tuberculose extrapulmonar.

Entre os sintomas mais comuns destacam-se a tosse persistente, febre, suores nocturnos, perda de peso e cansaço, podendo evoluir para quadros mais graves se não for tratada atempadamente.

A tuberculose continua a ser, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, a principal causa de morte provocada por um agente infeccioso, o que reforça a necessidade de manter elevados níveis de vigilância.

O tratamento baseia-se na administração de antibióticos durante um período mínimo de seis meses, sendo fundamental o cumprimento rigoroso da terapêutica para evitar recaídas e o desenvolvimento de resistências, nomeadamente nos casos de tuberculose multirresistente.

A transmissão ocorre sobretudo por via aérea, através de gotículas expelidas por pessoas infectadas, especialmente em espaços fechados e pouco ventilados. Por isso, o diagnóstico precoce, o uso de máscara em contextos de risco e a melhoria das condições de vida são apontados como medidas essenciais de prevenção.

Especialistas defendem ainda o reforço de campanhas de sensibilização e educação em saúde, de modo a combater o estigma e aumentar a literacia da população sobre a doença. (NM)

Por: IZILDA CHILUNDO

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