A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) assinala três décadas de existência num momento de balanço estratégico, marcado por avanços na cooperação multilateral, mas também por críticas persistentes quanto à sua eficácia e capacidade de gerar resultados concretos para os cidadãos dos Estados-membros.
Criada em 1996, a organização tem consolidado a sua posição como plataforma diplomática de concertação entre países lusófonos, promovendo iniciativas em áreas-chave como educação, saúde e mobilidade. No entanto, analistas consideram que o retorno prático dessas iniciativas continua aquém das expectativas.
Durante a recente reunião de coordenação realizada em Lisboa, foram definidos os eixos da nova visão estratégica para o período 2027–2033, com foco na consolidação do Estado de Direito democrático e no reforço da cooperação institucional.
Apesar de iniciativas relevantes, como o Acordo de Mobilidade aprovado em 2021, persistem entraves legais e administrativos que limitam a circulação de pessoas e oportunidades económicas entre os Estados-membros.
Especialistas apontam que, embora a CPLP tenha contribuído para a projeção internacional da língua portuguesa, não conseguiu ainda afirmar-se como um bloco com peso económico ou científico significativo no cenário global.
A organização continua a enfrentar críticas relacionadas com a sua capacidade de intervenção em contextos de crise política. A limitação do seu mandato institucional reduz a margem de atuação em processos de mediação e resolução de conflitos, como evidenciado em episódios recentes na Guiné-Bissau.
Além disso, áreas estratégicas como a mobilidade académica, formação técnico-profissional e segurança alimentar continuam a carecer de políticas mais estruturadas e orientadas para resultados mensuráveis.
Num contexto internacional mais competitivo e exigente, analistas defendem que a CPLP precisa de redefinir o seu papel, passando de um fórum predominantemente diplomático para um agente mais pragmático e orientado para o desenvolvimento económico e social.
O reforço da cooperação efetiva, a implementação de políticas integradas e a aposta em parcerias público-privadas são apontados como fatores críticos para aumentar a relevância da organização.
Trinta anos após a sua fundação, a CPLP enfrenta, assim, o desafio de transformar o seu potencial político e cultural em resultados tangíveis, capazes de responder às necessidades concretas das populações lusófonas. (DW)
Por: IZILDA CHILUNDO
