O líder religioso Mussagy Abdul Rahman apelou aos jovens muçulmanos para que preservem, ao longo do ano, os valores espirituais adquiridos durante o Ramadão, sublinhando que o verdadeiro teste da fé começa após o mês sagrado.
Falando no contexto das celebrações do Eid al-Fitr, o Sheik destacou que a modéstia, a honestidade, o senso de justiça e o perdão devem continuar a orientar o comportamento no quotidiano, seja na escola, no trabalho ou no seio familiar.
Segundo o líder religioso, o Ramadão tem como objetivo central reforçar a consciência espiritual e aproximar o crente de Deus, mas essa transformação deve refletir-se de forma contínua na vida das pessoas. Para o Sheik, não se trata apenas de um período de prática intensiva, mas de uma oportunidade para corrigir comportamentos e adotar uma conduta mais ética e equilibrada.
O responsável sublinhou também a importância da solidariedade, um dos pilares fundamentais do Islão, destacando práticas como a zakat, contribuição obrigatória, e a sadaqa, de carácter voluntário. Estas ações ganham especial relevância durante o Ramadão e culminam na sadaqatul fitr, destinada a garantir que todos, incluindo os mais vulneráveis, possam participar nas celebrações do Eid.
Num contexto de diversidade religiosa em Moçambique, Mussagy Abdul Rahman defendeu ainda a convivência baseada no respeito mútuo entre diferentes crenças, reforçando que valores como o amor, a solidariedade e o perdão são comuns a várias religiões e devem servir de base para a coesão social.
O líder religioso abordou igualmente a questão da insegurança no norte do país, rejeitando qualquer associação direta entre terrorismo e religião. Segundo afirmou, a utilização de símbolos religiosos por grupos violentos não deve ser interpretada como representação do Islão, alertando para a necessidade de análise rigorosa e responsável para evitar estigmatizações.
Por fim, o Sheik apelou ao reforço da solidariedade para com deslocados e vítimas de conflitos, e sublinhou que, apesar de existirem pequenas diferenças na data de celebração do Eid entre grupos, o ideal seria a unidade da comunidade muçulmana na comemoração desta importante festividade. (O país)
Por: IZILDA CHILUNDO
