A presença da Igreja Ortodoxa Russa em África tem vindo a crescer de forma consistente nos últimos anos, num movimento que especialistas interpretam como parte de uma estratégia mais ampla de expansão da influência russa no continente.
Na República Centro-Africana, um dos exemplos mais visíveis desta expansão é a comunidade de Saint-André de Bimbo, localizada nos arredores da capital, Bangui. Há cerca de três anos, fiéis reúnem-se regularmente no local para participar em celebrações religiosas segundo o rito ortodoxo russo.
O crescimento desta comunidade reflete uma tendência mais ampla de conversões. Patrick, de 38 anos, é um dos fiéis que aderiram recentemente à Igreja, após ter pertencido à Igreja Católica. Segundo relata, a decisão foi motivada pela identificação com os ensinamentos e pelo acompanhamento espiritual oferecido. Afirma ainda que a mudança teve impacto positivo na sua vida pessoal.
Também Olive, de 35 anos, integra a comunidade e destaca a dimensão universal da fé como fator determinante. Para ela, a nacionalidade não constitui um obstáculo à prática religiosa, sublinhando que a liturgia em língua russa não representa dificuldade, graças à presença de intérpretes.
A liderança da igreja local está a cargo do padre Marcel Voyémawa, que também seguiu um percurso de conversão, tendo anteriormente integrado a Igreja Ortodoxa Grega. O religioso defende a legitimidade teológica da Igreja Ortodoxa Russa, enfatizando a sua fidelidade às tradições apostólicas e ao Credo de Niceia-Constantinopla.
Historicamente, o continente africano encontrava-se sob a jurisdição do Patriarcado de Alexandria, ligado à Igreja Ortodoxa Grega. No entanto, a crescente presença russa está a alterar este panorama religioso, criando novas dinâmicas dentro do cristianismo ortodoxo.
De acordo com dados do Patriarcado de Moscovo, existem atualmente cerca de 350 comunidades ortodoxas russas distribuídas por mais de 30 países africanos. Em nações como África do Sul, Tanzânia, Uganda e Quénia, estão em construção templos inspirados na arquitetura tradicional russa, marcando visualmente essa expansão.
Para analistas, este crescimento não se limita ao campo religioso, sendo visto como um instrumento de “soft power” que reforça a presença política e cultural da Rússia em África. A evolução deste fenómeno deverá continuar a influenciar o equilíbrio religioso e geopolítico no continente nos próximos anos. ( DW)
Por: IZILDA CHILUNDO
