Desistências e alianças marcam corrida à segunda volta das eleçoes Autárquicas em França

Depois de cerca de 32 mil municípios terem eleito os seus presidentes de câmara na primeira volta, realizada no passado domingo, cerca de 8% das localidades seguem para uma segunda ronda decisiva. De acordo com a lei eleitoral, todos os candidatos que obtiveram mais de 10% dos votos podem avançar, mas têm também a possibilidade de formar alianças ou retirar candidaturas até ao fim do prazo legal.
Nas duas maiores cidades do país, Paris e Marselha, registaram-se desistências relevantes, embora sem acordos formais entre forças políticas.
Na capital francesa, a candidata da extrema-direita, Sarah Knafo, anunciou a sua retirada da corrida, apesar de ter garantido presença na segunda volta. A candidata justificou a decisão como sendo “por Paris” e não em apoio direto a qualquer adversário. Assim, os eleitores parisienses terão à escolha três candidaturas: Emmanuel Grégoire (União da Esquerda), Sophia Chikirou (La France Insoumise) e Rachida Dati (União da Direita).
Já em Marselha, Sébastien Delogu, que tinha ultrapassado por pouco os 10% na primeira volta, optou também por retirar-se, afirmando querer abrir espaço ao crescimento do partido de extrema-direita. A lista liderada por Franck Allisio, associada ao Reagrupamento Nacional, surge como uma das principais forças na cidade.
Apesar disso, o actual presidente da câmara, Benoît Payan, mantém uma posição firme, recusando qualquer tipo de acordo político. A retirada de Delogu aumenta agora a pressão sobre a candidata conservadora Martine Vassal, que poderá ter um papel decisivo no desfecho eleitoral.
O líder do Reagrupamento Nacional, Jordan Bardella, apelou mesmo à retirada da candidata republicana, defendendo um confronto direto entre a extrema-direita e a esquerda. Também deixou um apelo a Bruno Retailleau para intervir no sentido de clarificar a posição do seu campo político.
Apesar destas situações em Paris e Marselha, o panorama nacional é marcado por múltiplas alianças, sobretudo à esquerda. Em várias cidades, partidos como socialistas, comunistas, ecologistas e a La France Insoumise têm optado por unir forças, mesmo sem um acordo nacional formal.
Em Lyon, por exemplo, o actual presidente da câmara, Grégory Doucet, integrou uma lista conjunta com a candidata da esquerda radical, Anaïs Belouassa-Cherifi, numa aliança descrita como técnica, mas que gerou desconforto interno entre alguns apoiantes.
Com o prazo para decisões a terminar, o país entra agora numa fase decisiva, onde alianças e desistências poderão determinar o controlo político das principais cidades francesas.
Por: Jaime Alberto

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