A Confederação Africana de Futebol (CAF) decidiu atribuir a vitória da Taça das Nações Africanas 2025 a Marrocos, depois de anular o resultado da final inicialmente ganha pelo Senegal, na sequência de um incidente controverso durante o jogo decisivo.
Na final, disputada a 18 de janeiro, o Senegal venceu por 1-0 após prolongamento. No entanto, o encontro ficou marcado por um momento polémico, quando os jogadores senegaleses abandonaram o relvado em protesto contra a marcação de um penálti a favor de Marrocos nos descontos, quando o resultado ainda estava empatado a zero.
Após uma interrupção de cerca de 17 minutos, a equipa regressou ao campo. O penálti, cobrado por Brahim Díaz, foi defendido pelo guarda-redes Édouard Mendy. Já no prolongamento, Pape Gueye marcou o golo que garantiu, na altura, o triunfo senegalês.
Contudo, após recurso apresentado pela federação marroquina, a CAF decidiu reverter o resultado. O organismo considerou que o Senegal violou os regulamentos da competição ao abandonar o campo sem autorização do árbitro.
Com base nas regras, nomeadamente os artigos que penalizam equipas que se recusam a jogar ou abandonam o terreno de jogo, o Senegal foi declarado derrotado por falta administrativa, com o resultado oficial fixado em 3-0 a favor de Marrocos.
Em comunicado, a federação marroquina sublinhou que o recurso não visava questionar o desempenho desportivo, mas sim garantir o cumprimento das regras da competição.
Até ao momento, a federação senegalesa não reagiu oficialmente à decisão, embora alguns jogadores tenham manifestado nas redes sociais o seu descontentamento, mantendo que continuam a considerar-se campeões.
O jogo ficou ainda marcado por tensão dentro e fora de campo. O seleccionador do Senegal, Pape Thiaw, assumiu mais tarde que a decisão de retirar a equipa foi tomada “no calor do momento”. Já o então treinador de Marrocos, Walid Regragui, classificou o episódio como “vergonhoso”.
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, também condenou o sucedido, descrevendo as cenas como “lamentáveis”.
Especialistas admitem agora que o Senegal poderá recorrer ao Tribunal Arbitral do Desporto (TAS), o que poderá prolongar ainda mais um dos casos mais polémicos da história recente do futebol africano.
Apesar da decisão oficial, o episódio deixa marcas profundas, com muitos a considerarem que o desfecho administrativo dificilmente apagará o que aconteceu dentro das quatro linhas.
Por: Jaime Alberto
