Um grupo de piratas informáticos associado ao Irão reivindicou a autoria de ataques cibernéticos contra duas empresas norte-americanas: a fabricante de equipamentos médicos Stryker e a plataforma de pagamentos digitais Verifone.
O coletivo, identificado como Handala Hack, anunciou na quarta-feira, através da rede social X, que realizou o primeiro ataque contra a Stryker, alegando como motivo as ligações da empresa a Israel. Em 2019, o conglomerado norte-americano adquiriu uma empresa israelita, facto apontado pelo grupo como justificação para a ofensiva digital.
Num documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, a Stryker confirmou ter registado um “incidente de cibersegurança” que provocou uma interrupção global nas aplicações da Microsoft utilizadas internamente pela empresa.
Apesar de a companhia acreditar que a situação já se encontra contida, a empresa, sediada no estado de Michigan, indicou que ainda não foi possível estabelecer um calendário para a reposição completa dos sistemas afetados.
O grupo Handala Hack afirmou ainda que o ataque foi uma forma de retaliação pelo atentado bombista ocorrido a 28 de fevereiro numa escola primária em Minab, no sul do Irão, que causou mais de 150 mortos, segundo as autoridades iranianas.
De acordo com conclusões preliminares de uma investigação militar interna divulgadas pelo jornal The New York Times, o ataque terá sido provocado por um erro de coordenação das forças armadas dos Estados Unidos durante um bombardeamento contra uma base iraniana próxima da escola. O Presidente norte-americano, Donald Trump, tem negado repetidamente qualquer responsabilidade pelo incidente.
Além da Stryker, o coletivo reivindicou também um alegado ciberataque contra a empresa de pagamentos eletrónicos Verifone. No entanto, a companhia afirmou à agência France-Presse que não encontrou “qualquer evidência de um incidente relacionado com esta reivindicação” e garantiu que os seus serviços continuam a funcionar normalmente.
O grupo Handala Hack ganhou notoriedade no final de 2023. Inspirado numa figura simbólica da causa palestiniana, é descrito por especialistas em cibersegurança como um coletivo apoiado pelo Irão. As suas operações têm visado principalmente organizações e entidades com ligações a Israel.
Entre os métodos utilizados estão o roubo de dados, a desfiguração de páginas na internet e ataques de ransomware, um tipo de software malicioso que explora falhas de segurança e ameaça bloquear ou destruir dados até que seja pago um resgate.
O caso surge num contexto de forte tensão no Médio Oriente, após recentes confrontos militares envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irão, que têm provocado uma escalada de ataques e represálias na região. (NM)
Por: IZILDA CHILUNDO
