Presidente interino de Madagáscar demite primeiro-ministro e dissolve governo

O presidente interino de Madagáscar, o coronel Michael Randrianirina, demitiu o primeiro-ministro e dissolveu o governo apenas cinco meses após assumir o poder no país.

A decisão foi anunciada através de um comunicado da presidência, que informou que o chefe de Estado determinou a suspensão imediata das funções do executivo, em conformidade com as disposições da Constituição. No mesmo comunicado, foi indicado que um novo primeiro-ministro será nomeado em breve, embora sem revelar as razões da demissão do governo.

O executivo agora dissolvido era liderado por Herintsalama Rajaonarivelo, empresário do sector privado escolhido por Randrianirina após a saída do antigo presidente Andry Rajoelina do país em outubro do ano passado.

O governo incluía ministros civis, oficiais militares e algumas figuras críticas ao antigo regime.

Randrianirina chegou ao poder na sequência de manifestações populares iniciadas em setembro passado na capital Antananarivo. Os protestos começaram devido à escassez de água e energia, mas rapidamente evoluíram para uma contestação generalizada contra o governo de Rajoelina.

O líder militar rejeita a classificação de golpe de Estado e apresenta-se como Presidente da Refundação da República. Segundo afirmou, o Tribunal Constitucional transferiu-lhe o poder para conduzir um período de transição política no país.

Randrianirina defende que o seu mandato terá duração máxima de dois anos, período durante o qual pretende implementar reformas políticas e encontrar soluções para os principais problemas sociais e económicos enfrentados pela população.

Entre as medidas anunciadas pelo líder interino está um programa de consultas nacionais para uma eventual reforma constitucional até 2026, bem como a realização de eleições presidenciais no último trimestre de 2027.

Paralelamente às mudanças internas, o dirigente tem intensificado contactos diplomáticos com parceiros internacionais. Em fevereiro, realizou visitas oficiais à Rússia, onde se encontrou com o presidente Vladimir Putin, e à França, onde manteve um encontro com o presidente Emmanuel Macron.

Durante essas visitas, Randrianirina destacou a necessidade de abrir uma nova fase de cooperação internacional, defendendo relações “equilibradas” com Paris e o reforço das parcerias estratégicas com Moscovo.

A dissolução do governo foi anunciada poucas horas antes de uma nova reunião do Conselho de Paz e Segurança da African Union dedicada à situação política em Madagascar.

Desde a sua independência da França, em 1960, o país já enfrentou vários períodos de instabilidade política, incluindo golpes de Estado registados em 1972, 1975 e 2009. (DW)

Por: IZILDA CHILUNDO

Relacionados

Leave a Comment