O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Kazem Gharibabadi, afirmou que vários países, entre os quais a China, a Rússia e a França, entraram em contacto com Teerão para discutir a possibilidade de um cessar-fogo.
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“A nossa primeira condição para um cessar-fogo é que a agressão não volte a ocorrer”, declarou Gharibabadi numa entrevista divulgada hoje pela agência de notícias iraniana ISNA, citada pela Lusa.
O diplomata acrescentou que o país não iniciou qualquer agressão. “Não começámos a agressão nem a guerra”, afirmou, sublinhando que o Irão está apenas a defender-se perante os ataques.
As declarações surgem depois de o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi, ter rejeitado na segunda-feira a possibilidade de negociações de paz com os Estados Unidos.
“Estamos preparados para continuar a atacá-los com mísseis durante o tempo que for necessário e sempre que for preciso”, afirmou Araqchi numa entrevista à emissora norte-americana PBS News.
Segundo o chefe da diplomacia iraniana, as negociações com Washington “já não estão na agenda” e o país está disposto a prolongar o conflito pelo tempo que considerar necessário. No domingo, o ministro já tinha recusado apelos para um cessar-fogo imediato numa entrevista concedida à NBC.
Entretanto, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez na segunda-feira declarações contraditórias sobre o desenrolar da guerra no Irão. Numa primeira fase afirmou que o conflito estava “praticamente terminado”, mas mais tarde admitiu não saber “até onde poderá ir”.
Trump referiu várias alegadas conquistas após dez dias de confrontos, incluindo ataques a cerca de cinco mil alvos, o afundamento de mais de 50 navios, a destruição de fábricas de drones e a redução da capacidade de mísseis do regime iraniano para cerca de 10 por cento, ou “talvez menos”.
Em resposta, a Guarda da Revolução Islâmica declarou que os seus mísseis são “agora mais poderosos do que no início da guerra” e que o país mantém capacidade para alargar o conflito.
