A crise nas Linhas Aéreas de Moçambique continua a gerar intenso debate público. No programa Pontos de Vista da STV, comentadores defenderam a necessidade de uma auditoria independente à companhia aérea estatal, como forma de restaurar a credibilidade e esclarecer alegadas irregularidades financeiras.
O analista Hélder Jauana sublinhou que a melhoria da reputação da LAM passa, antes de mais, por uma auditoria transparente e tornada pública. “Esta auditoria independente deve ser exposta para que todos saibamos o que aconteceu na LAM”, afirmou. Jauana propôs também a implementação de um novo modelo de gestão e de um sistema de prestação de contas trimestral, com relatórios detalhados sobre a situação financeira, operacional e estratégica da empresa.
O comentador destacou que a responsabilidade pela situação atual não recai apenas sobre os gestores detidos ou investigados, questionando o papel dos órgãos de tutela e do Conselho de Administração. “Não basta prender gestores. É preciso reformar o modelo de controlo das empresas públicas”, alertou, defendendo mudanças estruturais para evitar que os problemas se repitam.
Por seu turno, Alberto da Cruz criticou o que considera ser uma abordagem pouco séria ao novo escândalo de corrupção envolvendo o antigo director-geral da LAM, Paulo Jorge. Da Cruz questionou a falta de informações claras sobre cerca de 150 milhões de dólares alegadamente movimentados por três empresas associadas ao caso e apontou falhas operacionais persistentes, como atrasos nos voos e aeronaves paradas.
O comentador defendeu que o combate à corrupção deve incluir todos os responsáveis institucionais do período em análise, questionando se figuras governamentais que exerciam funções na altura também serão chamadas a prestar esclarecimentos.
O debate surge num momento crítico para a LAM, marcado por denúncias de má gestão, suspeitas de corrupção e dificuldades operacionais, reforçando a necessidade de transparência, auditoria independente e reformas estruturais na companhia.
Por:Joao Mbatine
