O Parque Industrial de Beluluane, o maior de Moçambique, enfrenta um cenário crítico com a suspensão anunciada das atividades da Mozal, a maior fundição de alumínio de África, marcada para 15 de março. A decisão da australiana South32, gestora da fundição, ameaça derrubar uma cadeia de fornecedores locais que dependem quase integralmente desta indústria.
Empresas como a Dendustri, fundada em 2008 e que emprega 48 trabalhadores, veem-se à beira do encerramento. “A Mozal representa 95% do nosso rendimento. Sem ela, não temos alternativa viável”, explicou Mohamad Aboubakar, representante da Dendustri em Moçambique. Apesar de tentativas de diversificação, a procura por tecnologia de precisão ainda não cobre a lacuna deixada pela fundição.
O impacto não se limita às empresas individuais: cerca de 1.000 trabalhadores diretos e 4.000 indiretos da Mozal estão afetados, enquanto a cadeia de fornecedores perde faturamento e contribuições fiscais, enfraquecendo a economia local. O parque industrial abriga atualmente mais de 60 empresas e 12 mil postos de trabalho, mas muitas ainda dependem da fundição para sobreviver.
A Mozal justifica a suspensão pelo alto custo da energia elétrica, essencialmente fornecida pela Hidroeléctrica de Cahora Bassa, afirmando que as tarifas propostas pelo governo excedem os padrões internacionais, tornando inviável a produção. Tentativas de negociação com o Estado não evitaram a decisão de passar para o regime de manutenção e conservação.
Para os empresários do parque, a situação é um alerta à necessidade de diversificação de clientes e mercados. A experiência mostra que a concentração de faturamento em um único cliente, mesmo que estratégico, expõe empresas a riscos comerciais significativos, impactando não apenas o setor industrial, mas também a arrecadação fiscal e a economia regional. (Lusa)
Por: IZILDA CHILUNDO
