A reposição da transitabilidade na Estrada Nacional Número Um (EN1) está a provocar fortes congestionamentos no troço entre 3 de Fevereiro e Incoluane, no distrito da Manhiça, província de Maputo. Na manhã deste sábado, as filas de viaturas ultrapassaram os 10 quilómetros, devido às obras de reabilitação em curso após os danos causados pelas recentes cheias.
O tráfego opera no sistema de cedência alternada, conhecido como “stop and go”, obrigando automobilistas e transportadores a longos períodos de espera. O cenário foi marcado por motores desligados, passageiros acomodados nos assentos à espera de autorização para avançar e outros condutores visivelmente agastados com a demora.
Para muitos, o impacto vai além do simples atraso. Há perdas financeiras, compromissos adiados e desgaste emocional. “Estou há duas horas aqui parado. A esta hora já estaria em Xai-Xai, com certeza”, lamentou o transportador André Manhiça, sublinhando os prejuízos provocados pela paralisação do tráfego.
A falta de informação clara no local é outro factor que aumenta a frustração dos utentes. João Ruben, que seguia de Maputo, contou que já enfrentou duas paragens no mesmo percurso. “Parámos lá atrás, deixaram passar e voltámos a parar. Não sabemos o que pode acontecer mais à frente”, afirmou.
Adriano Sitoe partilha da mesma preocupação. “Ninguém diz nada. Não sabemos se vamos conseguir passar ou não”, referiu, defendendo maior comunicação por parte das autoridades responsáveis.
As obras decorrem para reparar cortes na via provocados pelas cheias que afectaram a região nas últimas semanas. Máquinas e equipas técnicas trabalham no terreno durante o dia, numa corrida contra o tempo para restabelecer a circulação plena naquela que é a principal artéria rodoviária do país, vital para o escoamento de mercadorias e mobilidade de pessoas.
Alguns utentes defendem que intervenções desta natureza deveriam ser realizadas em horários de menor circulação, de modo a minimizar o impacto económico e social. “Estamos a descarregar pedra agora porque à noite não se trabalha. Mas esta é a Estrada Nacional Número Um. Veja o sofrimento de quem está aqui atrás. Cada um tem o seu problema”, acrescentou André Manhiça.
Entretanto, a Administração Nacional de Estradas (ANE), citada pela Rádio Moçambique, assegura que a transitabilidade pelas duas faixas estará totalmente reposta a partir do dia 6 de Março, devolvendo a normalidade à circulação naquele troço estratégico da EN1.
Enquanto isso, automobilistas e operadores de transporte continuam a ajustar rotas, rever horários e contabilizar prejuízos, num momento que evidencia a importância estratégica da manutenção preventiva e da rápida resposta a emergências nas principais infra-estruturas do país. (o pais)
Por: IZILDA CHILUNDO
