OPOSIÇÃO GUINEENSE DEFENDE DIÁLOGO COM MILITARES PARA SUPERAR CRISE POLÍTICA

As principais plataformas da oposição na Guiné-Bissau manifestaram abertura para dialogar com os militares que assumiram o poder após o golpe de Estado de 26 de Novembro de 2025, propondo igualmente alternativas à conclusão do processo eleitoral interrompido

.Golpe de Estado

A posição consta de um manifesto político divulgado nas redes sociais pelas coligações PAI-Terra Ranka e API – Cabas Garandi, que apresentam uma proposta para ultrapassar a crise institucional instalada no país.

.Bissau: Oposição aberta a diálogo e alternativas às eleições

O documento sugere a abertura de negociações com vista ao restabelecimento da ordem constitucional e à análise de possíveis soluções alternativas à publicação dos resultados das eleições legislativas e presidenciais realizadas a 23 de Novembro de 2025.

No manifesto, a Plataforma Aliança Inclusiva (PAI-Terra Ranka), liderada pelo Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), e a Aliança Patriótica Inclusiva (API-Cabas Garandi) dirigem um “apelo solene” ao general Horta Inta-a, presidente de transição, para um “diálogo fraternal e patriótico”.

Segundo as duas plataformas, o diálogo deverá permitir encontrar “vias respeitosas” para pôr termo à crise institucional e democrática que afecta o país. Trata-se da primeira vez que estes blocos da oposição, que reivindicam vitória nas presidenciais interrompidas, reconhecem publicamente a existência do autodenominado Alto Comando Militar responsável pelo golpe.

O manifesto apela à mobilização dos cidadãos, civis e militares, para a construção de soluções pacíficas, defendendo pontes para um diálogo franco e responsável entre os guineenses.

De acordo com a proposta, as conversações incluiriam as candidaturas do ex-Presidente deposto, Umaro Sissoco Embaló, e de Fernando Dias, apoiado pelas duas plataformas da oposição.Política

As negociações seriam acompanhadas pela sociedade civil e contariam com mediação internacional, nomeadamente da União Africana, da Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO), da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e das Nações Unidas.

A iniciativa surge num momento em que se intensificam os debates sobre a estabilidade política no país, três meses após o golpe militar que suspendeu o processo democrático em curso.

Por: Jaime Alberto

Relacionados

Leave a Comment