ANAMOLA denuncia perseguição política e acusa Estado de tolerar violência contra militantes

O Partido ANAMOLA denunciou a continuidade de actos de perseguição contra os seus membros em várias regiões do país, alegando que a repressão política se mantém de forma sistemática desde as manifestações pós-eleitorais de 2024.

O líder do partido, Venâncio Mondlane, afirmou que militantes do Anamola têm sido alvo de mortes, sequestros, detenções arbitrárias e intimidações, descrevendo os acontecimentos como uma campanha organizada de perseguição política. Segundo Mondlane, a gravidade da situação é ainda maior por ocorrer no contexto do diálogo nacional inclusivo, processo que, na sua visão, deveria simbolizar reconciliação, abertura política e pacificação social.

Um dos episódios mais recentes verificou-se esta semana no distrito da Manhiça, na província de Maputo, onde um grupo de homens e mulheres terá participado em detenções de membros ligados ao partido. O caso reacendeu o debate sobre a utilização de estruturas locais e informais para fins de repressão política.

O Anamola sustenta que este padrão de violência e intimidação ocorre quase diariamente em diferentes regiões do país, criando um clima de medo e insegurança entre militantes e simpatizantes. O partido afirma que estas acções não são isoladas, mas parte de uma lógica de silenciamento político e exclusão deliberada de forças consideradas incómodas ao sistema.

O contexto político agrava a situação: enquanto decorre o diálogo nacional inclusivo, que reúne cidadãos e actores de várias frentes políticas e sociais, o Anamola denuncia ter sido excluído do processo, o que comprometeria, na sua perspectiva, a legitimidade e credibilidade da iniciativa.

Para analistas políticos, o contraste entre o discurso oficial de reconciliação e as denúncias de perseguição levanta dúvidas sobre a autenticidade do diálogo e a real disposição do Estado em promover um ambiente democrático, plural e inclusivo. O caso do Anamola simboliza assim uma contradição central da actual conjuntura política: fala-se de paz e inclusão, mas pratica-se exclusão e repressão.

Por: Joao Mbatine

Relacionados

Leave a Comment