Na comunidade de Chalucuane, na localidade de Chiduachine, distrito de Chókwè, a destruição causada pelas recentes cheias permanece evidente: casas arrasadas, fontes de água contaminadas e ausência quase total de latrinas.
Entre os mais de 10 mil habitantes desta comunidade de base agrícola, a história de Álvaro Macamo Júnior, de 23 anos, simboliza o impacto humano da crise e a importância das intervenções em Água, Saneamento e Higiene (ASH).
Na madrugada de 17 de Janeiro, a subida repentina das águas apanhou a população de surpresa. Sem tempo para retirar bens ou procurar abrigo seguro, Álvaro, os seus pais idosos e outras famílias vizinhas refugiaram-se no tecto da casa. Ao todo, cerca de 45 pessoas permaneceram isoladas durante três dias, cercadas pela água.
A experiência marcou profundamente o jovem, que passou de vítima directa das cheias a participante activo nas acções comunitárias de resposta. Com o apoio de iniciativas locais de promoção de ASH, tem estado envolvido na sensibilização da comunidade sobre práticas de higiene, tratamento de água para consumo e construção de latrinas melhoradas, medidas consideradas cruciais para prevenir surtos de doenças como cólera e diarreias.
Num contexto em que as cheias agravam a vulnerabilidade sanitária, a mobilização comunitária tornou-se peça-chave na recuperação. A história de Álvaro ilustra como, mesmo em meio à devastação, emergem lideranças locais capazes de transformar uma experiência de sobrevivência numa força motriz para a resiliência colectiva.
Por: Jaime Alberto
