O município de Chibuto necessita de aproximadamente 200 milhões de meticais para financiar obras estruturais de combate à erosão, intensificada pelas chuvas fortes e cheias da atual época chuvosa, revelou o vereador de Infra-estruturas, Jacinto Macondzo.
O responsável explicou que diversas vias apresentam ravinas com mais de um metro de profundidade, colocando em risco a circulação de pessoas e bens. Pelo menos 15 estradas principais da cidade encontram-se em estado crítico, enquanto algumas residências foram afetadas pelo deslocamento de solos, com depósitos de areia chegando até o nível das janelas.
Segundo Macondzo, apesar de Chibuto estar situada em zona alta e não ter sido diretamente submersa pelas cheias, o arrastamento de solos provocou crateras nas vias e danificou infra-estruturas essenciais. A situação afeta o acesso a serviços como a Escola do bairro Unidade, o hospital do bairro Moussavene e a Escola Básica 25 de Junho, recentemente reabilitada com apoio do Banco Mundial. Salas de aulas foram inundadas com água e areia, exigindo esforços de limpeza antes do início do ano lectivo.
As áreas baixas, importantes para a produção agrícola, também sofreram perdas significativas. Culturas de hortícolas, como couve, alface e tomate, essenciais para o abastecimento local e da cidade de , foram destruídas, comprometendo a segurança alimentar de uma população estimada em cerca de 83 mil habitantes. “A fome é eminente”, alertou Macondzo, destacando que a cidade agora depende de produtos trazidos de Chókwè e Chongoene.
O impacto da erosão e das cheias também afetou a arrecadação de receitas municipais. Mercados locais, antes ativos, encontram-se praticamente desocupados, dificultando o pagamento de despesas correntes como salários, recolha de lixo e manutenção de infra-estruturas. Para enfrentar a situação, a edilidade iniciou o recadastramento de contribuintes para reforçar a cobrança do Imposto Pessoal Autárquico (IPA), Taxa de Actividade Económica (TAE) e foro de terrenos.
Parte dos problemas de erosão decorre ainda das águas provenientes de estradas nacionais sob gestão da Administração Nacional de Estradas (ANE), como a N102 (Chongoene–Chibuto) e N220 (Chibuto–Chissano). O município submeteu levantamento técnico solicitando apoio da ANE na reparação das vias afetadas.
Macondzo enfatizou que o desafio é estrutural e exige coordenação entre o município, governo distrital, provincial e central. Sem investimentos robustos em drenagem e contenção, a cidade continuará vulnerável a cada época chuvosa, deixando estradas, escolas e campos agrícolas em risco e exigindo mobilização de recursos internos e solidariedade institucional para recuperação.
Por: Jaime Alberto
