Mais de 290 mil alunos continuam sem salas em Nampula

A poucos dias do arranque do ano lectivo 2026, marcado para 2 de Março, milhares de alunos na província de Nampula continuam sem salas de aula convencionais e deverão, mais uma vez, estudar ao relento.

Apesar de as escolas já terem concluído as planificações, elaborado actas e preparado o material pedagógico, persiste o velho problema da insuficiência de infra-estruturas. “Já está tudo pronto. Estamos apenas à espera do início das aulas”, afirmou Horácio Luís, director-adjunto pedagógico de uma escola local.

Na Escola Primária do 1.º e 2.º Graus da Pedreira, que prevê receber mais de 3.500 alunos, a falta de salas obriga parte dos estudantes a assistirem às aulas debaixo de árvores. O cenário repete-se há vários anos e preocupa pais e encarregados de educação.

“Quando chove, não há aulas. Os alunos ficam debaixo das árvores e não conseguem estudar”, lamentou Cidália João, encarregada de educação.

Durante o período lectivo, cada árvore transforma-se numa “sala improvisada”, acolhendo turmas inteiras. Com o chão húmido, devido à época chuvosa, as condições tornam-se ainda mais precárias.

Segundo Horácio Luís, a situação dificilmente sofrerá alterações este ano. “No ano passado tivemos 30 turmas ao ar livre. Este ano o número deverá manter-se, porque não houve construção de novas salas”, explicou.

O crescimento anual do número de alunos contrasta com o ritmo lento de expansão das infra-estruturas escolares. Perante a escassez de soluções definitivas, a Direcção Provincial de Educação admite recorrer a tendas, em coordenação com parceiros de cooperação.

“Estamos num período chuvoso e rezamos para que não haja catástrofes. Trabalhamos com parceiros e temos alguns ‘backups’. A educação sempre sofreu com as épocas chuvosas e ciclónicas”, declarou William Tuzine, director provincial de Educação em Nampula.

Até ao ano passado, estimava-se que cerca de 290 mil crianças frequentavam aulas ao relento na província, sobretudo no ensino primário. O cenário, ao que tudo indica, deverá manter-se ou mesmo agravar-se no novo ano lectivo.

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