Há 45 anos, Matola foi alvo de ataque militar do regime do Apartheid

Hoje recordam-se os 45 anos da agressão à cidade da Matola, em Moçambique, perpetrada pelas Forças de Defesa da África do Sul (SADF), no âmbito da chamada “Operação Beanbag”, durante a madrugada de 30 de Janeiro de 1981.

O ataque visava destruir residências e eliminar membros refugiados do braço armado do Congresso Nacional Africano (ANC), o uMkhonto we Sizwe (MK), que encontravam abrigo em Moçambique e organizavam ataques aos alvos do regime do Apartheid. A operação foi autorizada pelo então primeiro-ministro sul-africano, Pieter Botha.

Durante a investida, 15 membros do ANC, um técnico português (confundido com o político sul-africano Joe Slove) e três soldados sul-africanos perderam a vida. Os atacantes entraram na cidade disfarçados de tropas moçambicanas, com uniformes pintados de preto, realizando bombardeamentos coordenados em três residências distintas.

O episódio marcou a história do país como uma das ações mais brutais do regime segregacionista sul-africano e gerou indignação internacional, sendo considerado uma violação grave dos direitos humanos e do Direito Internacional.

Os militantes mortos foram enterrados no Cemitério de Lhanguene, a 14 de Fevereiro de 1981, num momento em que os moçambicanos demonstraram solidariedade e irmandade, chorando o sangue derramado naquela madrugada fatídica.

Apesar da destruição e das vidas perdidas, a população moçambicana manteve a hospitalidade e solidariedade em relação aos sul-africanos, o que contribuiu, décadas depois, para a vitória do ANC e o colapso do regime do Apartheid. As residências atacadas foram reabilitadas e continuam a servir à comunidade local.

Este episódio histórico lembra o sacrifício de inocentes e a determinação de Moçambique em apoiar a luta pela libertação do continente africano, mesmo nos primeiros anos após a independência nacional, proclamada em 25 de Junho de 1975.

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