A embaixadora de Israel em Budapeste, Maya Kadosh, afirmou que um eventual “Conselho de Paz” internacional não pode substituir o exército israelita na Faixa de Gaza, sublinhando que a segurança e a soberania de Israel não são negociáveis.
Em entrevista exclusiva à Euronews, a diplomata israelita declarou que o seu país está disposto a enfrentar qualquer pressão externa, incluindo dos Estados Unidos, caso considere que os seus interesses estratégicos estejam em risco. Segundo Maya Kadosh, mesmo uma eventual divergência com o ex-presidente norte-americano Donald Trump não afastaria Israel da defesa da sua soberania. A embaixadora acrescentou que a Hungria poderá desempenhar um papel conciliador em eventuais tensões diplomáticas.
As declarações surgem num contexto em que se registam sinais de avanços no processo de pacificação em Gaza, após a implementação dos últimos elementos da primeira fase do acordo de cessar-fogo negociado em Outubro do ano passado.
Na passada segunda-feira, as Forças de Defesa de Israel anunciaram a recuperação do corpo do último refém israelita mantido pelo Hamas na Faixa de Gaza. Trata-se de Ran Guili, sargento da polícia, de 24 anos, sequestrado a 7 de Outubro de 2023, após ter sido morto num ataque armado no Kibutz Alumim. O corpo foi localizado numa vala comum, após a análise de cerca de 250 cadáveres.
Com o cumprimento desta exigência por parte das autoridades israelitas, Israel autorizou a abertura limitada da passagem de Rafah, na fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egipto. Apesar disso, a zona continua sob controlo das forças israelitas e permanece vedada à circulação de camiões.
A libertação do último refém e a reabertura parcial da fronteira constam igualmente do plano de paz para Gaza apresentado por Donald Trump, estruturado em 20 pontos. Na semana passada, o ex-presidente norte-americano anunciou a criação de um “Conselho de Paz”, composto por líderes internacionais, com o objectivo de gerir a transição política e coordenar a reconstrução de Gaza.
A iniciativa, contudo, tem gerado controvérsia. Vários países europeus optaram por não participar no Conselho, manifestando reservas quanto ao seu mandato e composição.
Inicialmente, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, mostrou-se reticente em aderir à iniciativa, argumentando que a sua composição não tinha sido acordada com Israel e que o seu funcionamento poderia colidir com os interesses do país. Ainda assim, acabou por aceitar a participação israelita no Conselho.
