O primeiro-ministro do governo de transição da Guiné-Bissau, Ilídio Vieira Té, esclareceu que o líder da oposição Domingos Simões Pereira permanece detido por determinação dos tribunais e não por ordem dos militares que tomaram o poder em novembro de 2025. A informação foi divulgada em nota à imprensa após um encontro do chefe do governo com veteranos do PAIGC, partido histórico liderado por Simões Pereira.
Simões Pereira, considerado o principal opositor ao regime deposto de Umaro Sissoco Embaló, encontra-se detido na Segunda Esquadra de Bissau desde o dia do golpe militar, enquanto o candidato apoiado pelo PAIGC, Fernando Dias, permanece refugiado na embaixada da Nigéria na capital.
O primeiro-ministro afirmou que o Alto Comando Militar já ordenou a libertação de todos os prisioneiros sob sua custódia, sublinhando que o caso de Simões Pereira está sob jurisdição exclusiva dos tribunais competentes.
Paralelamente, outros dirigentes das coligações PAI-Terra Ranka e API – Cabas Garandi estão refugiados, temendo pela própria segurança. Entre eles, destacam-se Agnelo Regala, Muniro Conté, Geraldo Martins e Victor Mandinga.
Durante a reunião com os veteranos, liderados pelo guerrilheiro Manuel “Manecas” dos Santos, Ilídio Vieira Té apelou à serenidade e alertou para o impacto negativo das redes sociais, que contribuem para a polarização política. Os veteranos reforçaram o compromisso com o diálogo construtivo e a reconciliação nacional, lembrando que os interesses da Guiné-Bissau estão acima de qualquer partido político.
O governo de transição já marcou novas eleições legislativas e presidenciais para 6 de dezembro, depois de meses de restrições a encontros políticos e declarações públicas não autorizadas, sob o pretexto de impedir incitação à violência e reuniões clandestinas.
