Atividade ilegal continua na Mina de Seis Carros entre denúncias de corrupção e silêncio do Governo

As operações de extração de ouro na mina de Seis Carros, na província de Manica, continuam em atividade, apesar de ordens formais de paralisação emitidas pelo Ministro da Defesa Nacional e pelo Secretário de Estado de Minas. Relatos de garimpeiros apontam que a Polícia da República de Moçambique (PRM), destacada para fazer cumprir a suspensão, estaria autorizando a mineração mediante pagamento de valores monetários.

O garimpeiro Sebastião Ngoera revelou que agentes da PRM permitem a entrada de grupos de trabalhadores em troca de dinheiro:

“Quando alguém paga, os polícias autorizam e podem deixar entrar até 10 homens para minerar.”

Duas semanas após a denúncia, a equipe de reportagem confirmou que a situação se mantém: agentes da polícia continuam permitindo a mineração em horários irregulares, frustrando garimpeiros que seguem as regras.

“A polícia fecha para nós e eles é que entram para trabalhar”, denunciou uma garimpeira. Outro trabalhador explicou que grupos são introduzidos na mina durante a noite pelos agentes da PRM.

O Ministro da Defesa Nacional e o Comandante-Geral da Polícia visitaram a mina na semana passada, alertando para os riscos das atividades ilegais, mas o cumprimento da paralisação tem sido parcial. Garimpeiros pedem a intervenção do Ministro do Interior para regularizar a situação.

O jurista Francisco Massambo defende a atuação do Ministério Público, através do Gabinete de Combate à Corrupção, para responsabilizar os agentes envolvidos. Ele alerta que o prazo de 90 dias estabelecido para suspensão da atividade já expirou, sem qualquer atualização oficial do Governo:

“Se o Governo estabeleceu uma suspensão por 90 dias, esse prazo já se encontra largamente expirado. Não faz sentido que o Governo permaneça em silêncio.”

Em resposta, a Polícia de Manica afirmou que está a investigar os casos de suposta facilitação da mineração mediante pagamento de valores. Segundo o porta-voz Mouzinho Manasse, caso as suspeitas se confirmem, os agentes envolvidos serão responsabilizados disciplinar e criminalmente:

“Este comportamento não é digno de um agente da PRM. A ser verdade, estes serão processados disciplinarmente e criminalmente.”

Quanto a relatos de mortes ou assassinatos na mina, a PRM esclareceu que não há confirmação de homicídios, apenas acidentes por desabamento de terra, comuns em atividades de mineração artesanal.

O porta-voz apelou aos garimpeiros que denunciem quaisquer atos de corrupção, reforçando que os agentes destacados têm a função de garantir a paralisação total da atividade mineira, não de facilitar operações clandestinas.

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