A escalada do conflito no Médio Oriente está a aumentar a pressão sobre os preços da energia e a expor divisões políticas entre os líderes da União Europeia, reunidos em Bruxelas para avaliar os impactos da crise.
No encontro do Conselho Europeu, os chefes de Estado e de Governo apelaram a uma trégua nos ataques a infraestruturas críticas, como instalações de energia e água, e defenderam a reabertura do Estreito de Ormuz, uma via essencial para o transporte global de petróleo.
A tensão aumentou após o Irão intensificar ataques a infraestruturas de petróleo e gás na região do Golfo, em resposta a uma ação militar de Israel contra um importante campo de gás iraniano. Este cenário levanta preocupações quanto à estabilidade do abastecimento energético global.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, alertou que, embora o fornecimento à Europa esteja assegurado no imediato, o continente não está imune à volatilidade dos preços. Segundo a responsável, o prolongamento do conflito deverá manter a instabilidade nos mercados energéticos.
Para mitigar os impactos, Bruxelas admite flexibilizar regras de auxílios estatais, reduzir encargos nas redes elétricas e avançar com uma reforma fiscal que favoreça a eletricidade em detrimento dos combustíveis fósseis, numa tentativa de aliviar os custos para famílias e empresas.
Além da energia, a cimeira ficou marcada por divergências políticas. A Hungria, liderada por Viktor Orbán, voltou a bloquear um pacote de apoio financeiro à Ucrânia no valor de 90 mil milhões de euros, aprovado anteriormente pela União Europeia.
Budapeste justifica a posição com acusações de que Kiev estará a dificultar o fornecimento de petróleo através do oleoduto Druzhba, mantendo um impasse que agrava as tensões internas no bloco europeu.
Entre receios económicos e divisões políticas, a União Europeia enfrenta assim um duplo desafio: garantir estabilidade energética num contexto de conflito internacional e preservar a unidade entre os seus Estados-membros. (DW)
Por: IZILDA CHILUNDO
