A decisão da Comissão Nacional Eleitoral (CNE) de adjudicar novamente à empresa espanhola Indra a gestão tecnológica das eleições gerais de 2027 voltou a provocar forte contestação política em Angola. Esta é a quinta vez consecutiva que a empresa assume esta função, após os pleitos de 2008, 2012, 2017 e 2022.
A escolha, resultante de um concurso público realizado recentemente, está a ser alvo de críticas por parte de partidos da oposição e analistas, que questionam a transparência e a credibilidade do processo. Enquanto a CNE garante que todos os procedimentos legais foram cumpridos, persistem dúvidas no espaço público sobre a recorrência da mesma adjudicatária.
A UNITA, principal força da oposição, reagiu de forma crítica. O seu líder, Adalberto Costa Júnior, questiona a repetição da escolha ao longo dos anos, apontando para um histórico que, segundo afirma, não gera confiança junto dos cidadãos. Para o dirigente, a decisão ignora o sentimento popular e levanta suspeitas sobre a lisura do processo eleitoral.
Também o Bloco Democrático manifestou reservas. A porta-voz do partido, Valéria Vitussi, considera que a adjudicação levanta “preocupações legítimas” quanto à transparência e credibilidade das eleições.
Analistas políticos ouvidos sobre o tema defendem maior abertura e diversificação nos concursos públicos, sublinhando que a confiança no sistema eleitoral depende da perceção de imparcialidade e rigor nos processos.
Apesar das críticas, a CNE reafirma o seu compromisso com a transparência, garantindo que o processo decorreu dentro dos parâmetros legais e técnicos exigidos.
A nova adjudicação à Indra promete, assim, manter o debate político aceso à medida que o país se aproxima de mais um ciclo eleitoral. (DW)
Por: IZILDA CHILUNDO
