Hong Kong intensifica fiscalização com buscas em corretoras chinesas

A Comissão Independente Contra a Corrupção de Hong Kong (ICAC) realizou buscas nos escritórios de pelo menos duas corretoras de valores de origem chinesa e deteve um dirigente da Guotai Junan International no âmbito de uma investigação em curso sobre práticas no mercado financeiro.

As diligências ocorreram nos departamentos de mercados de capitais da filial local da Citic Securities e da Guotai Junan International.

Horas depois, a Guotai Junan International confirmou, em comunicado, que representantes da Comissão de Valores e Futuros de Hong Kong (SFC) e da Comissão Independente Contra a Corrupção se apresentaram na sede da empresa com mandados judiciais e procederam à apreensão de documentação relevante para a investigação.

A empresa informou ainda que um dos seus funcionários, que não integra o conselho de administração, foi detido para colaborar com as autoridades. a Guotai Junan anunciou a suspensão imediata do funcionário de todas as suas funções operacionais e poderes executivos, com efeitos a partir de 10 de março e por tempo indeterminado.

Apesar da investigação, a empresa garantiu que as restantes operações continuam a funcionar normalmente. “A empresa mantém a sua solidez financeira e todas as atividades, incluindo a banca de investimento e outras divisões, decorrem de forma ordenada e em conformidade com a regulação”, refere o comunicado.

A operação ocorre num momento de forte recuperação dos mercados de capitais em Hong Kong. Em 2025, a região semiautónoma voltou a liderar o ranking mundial de captação de fundos através de ofertas públicas iniciais (IPO), registando também um início de ano particularmente ativo, com várias operações de grande dimensão e um aumento significativo do volume de negociações.

Embora as autoridades não tenham divulgado detalhes específicos sobre a investigação, os reguladores têm intensificado a supervisão das práticas de financiamento e das operações no mercado bolsista.

Entre os processos em curso destaca-se também uma investigação ao fundo de cobertura Segantii Capital Management, suspeito de utilização de informação privilegiada.

No ano passado, a ICAC acusou ainda um antigo funcionário da Bolsa de Hong Kong de alegadamente receber subornos relacionados com outro caso de uso indevido de informação privilegiada.

Paralelamente, a Comissão de Valores e Futuros tem emitido repetidos alertas às corretoras para que evitem apresentar pedidos de oferta pública inicial incompletos ou de qualidade insuficiente, num contexto de elevada atividade no mercado.

As autoridades de Hong Kong afirmam que estas ações fazem parte de uma estratégia coordenada para reforçar a transparência e preservar a integridade do sistema financeiro num período de grande dinamismo nos mercados. (RTP)

Por: IZILDA CHILUNDO

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